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Cruzeiro cala o Morumbi e elimina o São Paulo com sobras: 2 a 0

0,,21128738-DP,00Mais de 50 mil torcedores apoiam antes, mas protestam depois

A noite ficou mais azul nesta quinta-feira. O Cruzeiro construiu uma muralha para impedir o São Paulo de marcar o gol. Segurou o anfitrião, no Morumbi cheio, e ainda balançou a rede duas vezes, ficando com a vaga para as semifinais da Taça Libertadores com a vitória por 2 a 0. Os mineiros, que haviam vencido por 2 a 1 em casa, festejaram a classificação para esta fase, que não acontecia desde 1997, quando o clube foi campeão do torneio continental. Aos tricolores, tristeza e silêncio pela eliminação diante de mais de 50 mil torcedores.

Com o resultado, agora o Cruzeiro enfrenta outro brasileiro: o Grêmio , que se garantiu nas semifinais ao passar pelo Caracas. A primeira partida será em Belo Horizonte, no dia 24, e o jogo da volta está programado para a semana seguinte, provavelmente no dia 2 de julho, no Olímpico.


Cruzeiro fechado, São Paulo na pressão, e expulsão no anfitrião

Ampliar Foto Agência/Reuters Agência/Reuters

Muricy opta por Richarlyson e deixa Hernanes no banco

A torcida do São Paulo comportou-se como em uma verdadeira decisão no início. Quando o time entrou, muita festa. A presença de Rogério Ceni atrás de uma dos gols durante o hino nacional foi o suficiente para que o nome do goleiro fosse ouvido por todos os cantos. Muricy Ramalho também foi ovacionado pelos torcedores, que fecharam as homenagens lembrando de Telê Santana. Os cruzeirenses eram minoria, mas também tentavam incentivar o time.

Assim que a bola rolou, o Tricolor foi para cima, já que precisava de uma vitória simples para ficar com a vaga. Sabendo que não poderia levar gols, Muricy optou por Richarlyson fazendo a função de zagueiro. Hernanes foi para o banco. Fabrício, com lesão muscular, foi o desfalque de última hora da Raposa.

O São Paulo preparou uma blitz logo de início. No abafa, não deixava o Cruzeiro jogar e mantinha Fábio atento o tempo todo. Mas não concluía. Marlos, estreando na Libertadores, mostrava muita vontade, mas parava na marcação.
Kléber, fazendo e recebendo faltas, era o alvo da torcida tricolor. O atacante, aliás, era o único mais adiantado, já que o time mineiro estava todo fechado.

Apesar de jogar atrás, o Cruzeiro conseguiu concluir duas vezes com Wellington Paulista, ainda que sem muito perigo para Denis. O São Paulo seguia apertando, mas errava passes e já deixava o adversário tentar algo. Aos 26, Kléber arriscou um chute rasteiro de fora da área, obrigando Denis a fazer boa defesa.

Aos 29, o melhor momento do Tricolor até então. Marlos desceu pela direita, driblou dois defensores após receber um lançamento de Denis, e cruzou para a área. A zaga tirou de cabeça e a bola sobrou para Junior Cesar, que chutou para cima. Não acertou o gol, mas levantou os torcedores.

Aos 32 minutos, impaciente por não ver o gol sair, a torcida pediu Dagoberto. Eduardo Costa tomou cartão amarelo. E o time mineiro aproveitou uma calmaria tricolor para atacar. Mas não acertou a pontaria. O ímpeto dos anfitriões era menor do que no início, mas ainda existia. Aos, Junior Cesar chutou rasteiro para a área, e Borges ainda tocou na bola, que saiu pela linha de fundo.

Marlos e Zé Luis eram os principais responsáveis pela criação. Washington também saiu um pouco da área, tentando buscar a jogada. Mas, quando o time parecia melhor, levou um balde de água fria: Eduardo Costa fez falta dura em Jonathan e tomou o segundo amarelo, sendo expulso. O Tricolor terminou o primeiro tempo com um homem a menos e sem o gol da classificação. E o Cruzeiro foi para o vestiário com parte da missão de não sofrer gol cumprida.

– Estamos com um a menos e vamos ter que correr mais. Agora é abafa e coração – resumiu Borges, na saída do gramado.

Dagoberto entra, mas Cruzeiro é quem marca duas vezes

Assim que o São Paulo surgiu no túnel, Dagoberto entrou correndo como titular e chamando a torcida, que logo respondeu, gritando o nome do atacante. Washington foi sacado. Hernanes também entrou, na vaga de Junior Cesar. O ânimo da equipe foi renovado. Mas, do outro lado, a muralha do Cruzeiro permanecia erguida.

Apesar de pressionar, o anfitrião não conseguia chegar ao gol da Raposa. As tentativas eram quase todas em passes longos. Marlos era o que mais tentava penetrar conduzindo a bola. Dagoberto, com fôlego total, corria de um lado para outro.

Aos 18, Marlos recebeu uma bola pela esquerda em ótimas condições, mas demorou para ajeitar na perna boa e perdeu o ângulo. No cruzamento, tentou achar Borges, mas não conseguiu. O Cruzeiro, fechado, aproveitava os erros de passe do adversário, tentando achar um gol.

E conseguiu calar o Morumbi aos 21 minutos. Henrique, pela direita, soltou uma bomba certeira no gol de Denis. A torcida cruzeirense conseguiu ser ouvida pela primeira vez no estádio. Logo depois do lance, os são-paulinos ainda ensaiaram um gesto de apoio, mas tímido. Tentaram novamente alguns minutos depois.

Adilson tirou Wagner, que vinha de lesão, e colocou Jancarlos. Jonathan passou para o meio, mas logo depois sentiu dores e saiu. Thiago Heleno reforçou a defesa. Animado, o Cruzeiro passou até a arriscar mais. Aos 30, Kléber recebeu na entrada da área pela direita, bateu cruzado, e a bola passou perto da trave de Denis.

Como última cartada, Muricy colocou mais um atacante em campo. André Lima entrou no lugar de Zé Luis. Mas o Cruzeiro, tranquilo, administrava o jogo tentando manter a posse de bola. As chances do São Paulo eram cada vez mais escassas.

A situação ficou pior para os são-paulinos: aos 35, Bernardo chutou em direção ao gol e André Dias tocou a bola com a mão. Foi expulso e cometeu o pênalti a favor do Cruzeiro. A torcida gritou o nome de Denis. Mas Kléber bateu no alto, sem chances para o goleiro. Com o 2 a 0, estava sacramentada a classificação. Enquanto os torcedores lamentavam, Ceni e Washington deixaram o Morumbi.

Renato Silva ainda fez uma falta dura em Kléber, aos 39, mas escapou de ser advertido. Wellington Paulista não gostou do lance. O clima esquentou, mas logo foi desfeito pela arbitragem. A torcida do São Paulo, que apoiou por quase todo o jogo, passou a gritar “time sem vergonha”. Muricy recebeu apoio no fim, mesmo com o revés. A festa, com o apito do árbitro, foi cruzeirense.

Ficha técnica:

SÃO PAULO 0 x 2 CRUZEIRO
Denis, André Dias, Renato Silva e Richarlyson; Zé Luis (André Lima), Eduardo Costa, Jean, Marlos e Junior Cesar (Hernanes); Borges e Washington (Dagoberto). Fábio, Jonathan (Thiago Heleno), Leonardo Silva, Léo Fortunato e Gérson Magrão; Elicarlos (Bernardo), Henrique, Marquinhos Paraná e Wagner (Jancarlos); Kléber e Wellington Paulista.
Técnico: Muricy Ramalho. Técnico: Adilson Batista.
Gols: Henrique, aos 21 minutos e Kléber, de pênalti, aos 36 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Eduardo Costa, André Dias, Borges (São Paulo); Fábio, Wagner, Kléber, Jonathan, Gérson Magrão (Cruzeiro). Cartão vermelho: Eduardo Costa, aos 43 minutos do primeiro tempo, e André Dias, aos 35 minutos do segundo tempo (São Paulo).
Estádio: Morumbi. Data: 18/06/2009. Árbitro: Sergio Pezzota (ARG). Auxiliares: Roberto Reta e Diego Romero (ARG).

Público e renda: 52.809 pagantes e R$ 1.731.580,00

junho 19, 2009 - Posted by | Cruzeiro, São Paulo | , , , , , , , , , ,

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