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Taça com pancadaria na festa da Série B no Pacaembu

Partida começou com clima de amistoso e atletas fizeram o jogo virar uma guerra antes de comemorarem o título

Morais e Marquinhos se estranham feio durante a partida que teve cinco gols e cinco expulsões (Agência Estado)Morais e Marquinhos se estranham feio durante a partida que teve cinco gols e cinco expulsões (Agência Estado)

O campeonato estava decidido para as equipes e dentro de campo o clima era festivo. Os times pisaram no gramado com camisas comemorativas e o tom era de amistoso de luxo. Mas na hora em que a bola rolou, não sobrou tempo para a boa-vizinhança. O fato que marca a festa de Corinthians e Avaí pelo acesso à Série A 2009 não é o resultado de 3 a 2 para o time da casa porque aos 10 minutos do segundo tempo o gramado do Pacaembu virou um campo de guerra.

O volante Elias, que vinha sendo o melhor em campo, dividiu com o capitão catarinense, Batista, na intermediária. Uma discussão começou logo na seqüência e, de repente, Morais, do Corinthians, e Marquinhos, do Avaí, apareceram trocando socos em meio aos xingamentos. Foi o suficiente para o corre-corre se generalizar e a pancadaria rolar solta. Herrera tomou uma voadora nas costas e os reservas invadiram o campo. O péssimo exemplo acabou rendendo cartões vermelhos para Marquinhos, Batista, Morais e Elias. E também incitou uma invasão de campo por parte de um corintiano.

A vitória deste sábado foi da Fiel. Foi a torcida quem encheu o Estádio do Pacaembu de alegria e mostrou que, feita de “maloqueiros e sofredores”, é o maior patrimônio do clube, sendo destaque na partida-símbolo de toda campanha corintiana na Série B 2008. “O Corinthians veio para vencer”, cantava em alto e bom som.

Enquanto o Timão jogou com os rostos dos torcedores estampados na sua tradicional camisa branca, o Avaí apenas entrou em campo com a camisa amarela especialmente reservada para este sábado. Na hora em que a bola rolou, o azul e branco voltou a vestir o Leão de Santa Catarina. O arsenal de cânticos e gritos de guerra incessantes abafou até o hino nacional. A vibração coreografada estava lá novamente e as paródias que marcaram toda a campanha corintiana soavam pela última vez em 2008, dentro da casa do Corinthians.

Pontapé inicial na bola e, sem perder tempo, o amistoso virou coisa séria. Não faltaram jogadas ríspidas. O “bando de loucos” das arquibancadas apenas iniciava as declarações de amor ao Alvinegro Paulista quando o volante Elias, melhor atleta do primeiro tempo, começou a fazer o atacante Herrera virar herói. O argentino entrou de férias assim que o árbitro apitou o fim do jogo e pode ter feito sua última apresentação com a camisa do clube. Ele ainda cobra R$ 850 mil referentes à sua contratação junto ao Gimnasia de La Plata (ARG) e ninguém se prontificou a pagar até agora. Se for para se despedir do Brasil, pelo menos ele o fez de forma emblemática…

Com um gol logo aos 3 minutos, a torcida “Não parou, não parou, não parou” de cantar. Elias estava a mil e deixou Herrera na cara do gol no primeiro ataque do jogo. Com um toque por baixo das pernas do goleiro Eduardo Martini, o camisa 17 abriu o placar. Contudo, pelo lado do Avaí, havia um camisa 7 de canhota inspirada. Com um pé esquerdo venenoso, o veterano meia Marquinhos distribuía lançamentos e passes com mestria. Antes de quase fazer um gol olímpico, por exemplo, ele bateu um escanteio na cabeça do zagueiro André Turatto, que empatou o jogo. E a torcida dizia que “esperou a semana inteira pra ver o Timão jogar”.

Os nervos estavam exaltados e um cartão amarelo para o volante Cristian quase terminou em briga. Sobravam dividas na grama molhada pela garoa de São Paulo e a torcida precisou lembrar que “O Coringão voltou” para a equipe pôr a redonda no chão e desempatar. Foi na tranqüilidade de Elias que Dentinho recebeu livre dentro da área, em condições de rolar para a esquerda e deixar o ídolo portenho embaixo dos três paus para fazer o segundo gol.

O que ninguém compreendeu foi o motivo da distribuição de jogadas desleais. Enquanto o jogo era duro, disputado e aguerrido, era admirável. De uma para outra, porém, descambou para a violência e não se tratava mais de futebol. Virou rixa pessoal entre os jogadores e todos queria machucar alguém ou humilhar na base do olé. Marquinhos chegou a jurar que pegaria Morais do lado de fora do estádio.

Cantando que “estava chegando a hora”, o torcedor pôde comemorar quando Eduardo Martini engoliu um frango na batida de falta de André Santos. O 3 a 1 diminuiu o ímpeto dos brigões e só aconteceu porque o goleiro do Avaí tentou socar a bola molhada e o chute forte o traiu. Ele caiu no chão e socou a bola para trás, mandando-a para o fundo das redes.

Brioso, o time de Silas não baixou a guarda e ainda encontrou tempo para diminuir. Na base da raça, Marcus Vinicius arrancou a bola dos pés corintianos e chutou de longe, sem muita força. A bola desviou no pé de um zagueiro e passou pelo contrapé do goleiro Felipe. Por um carrinho por trás no fim da partida, o zagueiro Chicão também recebeu um cartão vermelho.

A classificação final da Série B acabou com o Corinthians campeão e o Avaí vice. Santo André e Barueri completam o quarteto que entra na elite do futebol brasileiro ano que vem. O diferencial na hora em que o capitão William, do Corinthians, ergueu a taça ficou por conta da Fiel. Os gritos da torcida não eram de comemoração. O Pacaembu tinha personalidade e gritava: “Obrigação!”.

FICHA TÉCNICA:
CORINTHIANS X AVAÍ

Estádio: Pacaembu, São Paulo (SP)
Data/Hora: 22/11/2008 às 16h20
Árbitro: Pericles Bassol Pegado Cortez (RJ)
Assistentes: Hilton Moutinho Rodrigues (Fifa) e Rodrigo Pereira Joía (RJ)
Público e renda: 32.774 / R$ 679.850
Cartões amarelos: Cristian e Herrera (COR) marcus Vinícius (AVA)
Cartões vermelhos: Morais, Elias e Chicão (COR) Marquinhos e Batista (AVA)
Gols: Herrera, 3′/1ºT, (1-0); André Turatto, 5′/1ºT, (1-1); Herrera, 37′/1ºT, (2-1); André Santos, 29′/2ºT, (3-1); Marcus Vinícius, 39′/2ºT, (3-2);

CORINTHIANS: Felipe, Alessandro, William, Chicão e André Santos, Elias, Cristian, Morais e Douglas (W. Saci, 48′/2ºT), Herrera (Carlos Alberto, 26′/2ºT) e Dentinho (Bebeto, 43′/2ºT). Técnico: Mano Menezes.

AVAÍ: Eduardo Martini, Gustavo (Joelson, 23′/2ºT), Rafael, André Turatto e Arlindo Maracanã; Marcus Vinícius, Batista, Marquinhos e Válber; William (Abuda, 26′/2ºT) e Evando. Técnico: Silas

Novembro 22, 2008 - Publicado por Administração Site | Corinthians | , | Sem comentários ainda

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